Morte de americano em Minneapolis intensifica revolta contra atuação de agentes federais
Vídeos contradizem versão oficial, protestos se espalham pelos EUA e autoridades enfrentam forte pressão por respostas sobre o uso da força
No último sábado, 24 de janeiro, a maior cidade de Minnesota, Minneapolis, voltou a ser palco de protestos e confrontos após o tiroteio que matou o americano Alex Pretti, de 37 anos, durante uma operação de fiscalização conduzida por agentes do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (Department of Homeland Security – DHS). O caso ocorre em meio à maior mobilização de agentes federais de imigração (Operation Metro Surge) já registrada na cidade e segue alimentando uma crise entre autoridades federais, locais e moradores.
Segundo a versão oficial divulgada pelo DHS, Pretti teria se aproximado dos agentes portando uma arma de fogo e resistido aos esforços para ser desarmado, o que teria levado um agente da Patrulha de Fronteira (U.S. Border Patrol) a disparar em “autodefesa”. Autoridades federais afirmaram que ele estava armado e que os disparos foram uma resposta necessária à ameaça.
No entanto, imagens captadas por testemunhas e analisadas por veículos de imprensa mostram um quadro bastante diferente. Vídeos verificados por organizações como o New York Times e o Washington Post registram Pretti segurando apenas um celular nas mãos enquanto tenta intervir para proteger outra pessoa durante a abordagem. Em uma das gravações, um agente aparece retirando a arma do corpo de Pretti momentos antes dos disparos — e não enquanto ele a brandia — e logo depois um policial atira à queima-roupa enquanto o homem já está imobilizado no chão.
A morte de Pretti se soma a outra fatalidade ocorrida em menos de três semanas em Minneapolis, quando a agente federal Renee Good também foi morta durante uma operação de imigração. Esses episódios geraram ampla revolta pública, com milhares de manifestantes nas ruas da cidade exigindo respostas e responsabilização.
Ainda no sábado, centenas de pessoas realizaram uma vigília no local do tiroteio, carregando cartazes e lembrando Pretti — enfermeiro de UTI licenciado a portar arma legalmente e sem registros criminais, conforme autoridades locais. Protestos solidários se espalharam por outras grandes cidades dos EUA, como Nova York, Chicago, Los Angeles e São Francisco, com clamores por “Justiça para Alex” e pedidos para abolir o ICE, a agência de imigração responsável por grande parte das ações de fiscalização.
O episódio também disparou debates políticos intensos em Washington. Senadores e representantes de ambos os partidos pedem investigações independentes e medidas de responsabilização dos agentes, e há pressão para que a discussão sobre o financiamento e o papel do Department of Homeland Security seja suspensa ou revista. Figuras como o ex-presidente Barack Obama qualificaram o caso como uma “trágica perda” e um alerta para a necessidade de maior supervisão das ações federais.
Enquanto isso, o prefeito de Minneapolis e o governador de Minnesota buscam reduzir a presença dos agentes federais na cidade, afirmando que a situação tem alimentado mais violência e divisão do que solução. Autoridades locais também lutam para garantir que a investigação sobre a morte de Pretti seja conduzida de maneira independente, diante de divergências claras entre a narrativa oficial e o que as imagens mostram.
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