União Europeia e Índia selam acordo histórico e redesenham o comércio global
Após quase duas décadas de negociações, pacto cria zona de livre comércio para 2 bilhões de pessoas e fortalece novos eixos econômicos fora dos EUA e da China
Depois de quase 20 anos de negociações marcadas por avanços e recuos, a União Europeia (UE) e a Índia anunciaram, nesta semana, em Nova Déli, a assinatura de um acordo histórico de livre comércio. O pacto cria uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, envolvendo cerca de 2 bilhões de pessoas, e promete dobrar as exportações europeias para o mercado indiano nos próximos seis anos.
Para a União Europeia, o principal ganho está no setor automotivo. A Índia concordou em reduzir drasticamente as tarifas de importação de veículos europeus, que atualmente chegam a 110%, para apenas 10%, dentro de uma cota anual de 250 mil automóveis. A medida deve impulsionar montadoras europeias e ampliar a presença do bloco no mercado asiático.
Já para a Índia, o acordo garante maior acesso ao mercado europeu para produtos têxteis, especialmente vestuário, além de facilitar a mobilidade de profissionais indianos da área de tecnologia, que poderão trabalhar com menos barreiras nos países da UE. O setor de tecnologia é um dos pilares da economia indiana e ganha ainda mais relevância com o novo pacto.
Somados, União Europeia e Índia representam cerca de 25% do PIB mundial, mas o peso do acordo vai além dos números. Em 2025, o volume de negociações comerciais entre Índia e UE atingiu US$ 136 bilhões, superando pela primeira vez na história o comércio entre Estados Unidos e União Europeia, que ficou em US$ 132 bilhões.
Analistas apontam que o cenário geopolítico atual teve papel decisivo nesse avanço. A tarifa de 50% imposta pelo ex-presidente Donald Trump sobre produtos indianos, como punição pela compra de petróleo russo, aproximou ainda mais Nova Déli da Europa. Para os europeus, o acordo também surge como uma estratégia para reduzir a dependência da China e se proteger da imprevisibilidade da política comercial norte-americana.
Brasil entra no radar: Embraer anuncia parceria estratégica na Índia
O fortalecimento da Índia no cenário global também abre espaço para o Brasil. A Embraer, terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, anunciou uma parceria com o conglomerado Adani Group, do bilionário Gautam Adani, para a produção de aeronaves em solo indiano.
Caso o projeto se concretize, será a primeira fábrica de aviação civil da Índia, marcando um passo histórico para o país asiático e ampliando a presença brasileira em um dos mercados que mais crescem no mundo. A iniciativa reforça o papel do Brasil nas cadeias globais de alta tecnologia e aviação.
O acordo UE–Índia, somado a investimentos estratégicos como o da Embraer, indica que o eixo do comércio mundial passa por uma reconfiguração, com novos protagonistas e alianças ganhando força no cenário internacional.
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